Segundo semestre começou: hora de revisar o planejamento tributário e ajustar a rota -

Segundo semestre começou: hora de revisar o planejamento tributário e ajustar a rota

Revisar o planejamento tributário — profissional apresentando gráficos para equipe em reunião de estratégia empresarial

Julho passou e o calendário fiscal entrou na sua segunda metade. Para o empresário de São Bernardo do Campo e região do ABC, esse é um dos momentos mais estratégicos do ano para parar, olhar os números acumulados e decidir se o caminho tributário escolhido em janeiro ainda faz sentido, ou se precisa de ajuste antes que as janelas de decisão se fechem.

Diferente do que muita gente pensa, o planejamento tributário não é uma tarefa de dezembro. Várias decisões importantes só podem ser tomadas dentro de prazos específicos, e 2026 traz mudanças que tornam essa revisão ainda mais urgente.

Por Que Revisar o Planejamento Tributário Agora

O primeiro semestre já mostrou o comportamento real do faturamento, das despesas e da margem do negócio. Isso significa que, em vez de trabalhar com projeções, o empresário já tem dados concretos para decidir com segurança.

Além disso, várias mudanças legais entraram em vigor ou ganharam novos prazos justamente entre o meio e o fim de 2026, e algumas dessas decisões não podem esperar até o fechamento do ano. Deixar tudo para dezembro reduz as opções disponíveis e aumenta o risco de pagar mais impostos do que o necessário, de forma totalmente legal.

O Que Deve Ser Analisado Neste Momento

Regime Tributário

Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real têm lógicas de tributação bem diferentes. No Simples, a alíquota efetiva pode variar de 4% a 33% conforme o faturamento e o anexo de enquadramento. No Lucro Presumido, a carga tributária federal soma cerca de 11,33%, mais o ISS municipal. Já no Lucro Real, os percentuais variam entre 20% e 35%, dependendo do lucro efetivo apurado.

Para empresas de serviços enquadradas no Anexo V do Simples, vale revisar o cálculo do Fator R, que pode reduzir a alíquota inicial de cerca de 15,5% para a faixa de 6%, dependendo da proporção entre folha de pagamento e faturamento nos últimos 12 meses.

Faturamento Acumulado

Verificar o faturamento acumulado dos últimos 12 meses é essencial para saber se a empresa está próxima do limite do Simples Nacional ou de uma mudança de faixa que aumente a alíquota efetiva. Empresas que já perceberem risco de estouro do teto precisam simular, ainda no segundo semestre, o impacto de migrar para o Lucro Presumido no ano seguinte.

Encargos Trabalhistas e Previdenciários

Folha de pagamento, pró-labore e eventuais contratações previstas para o segundo semestre também entram na conta. O pró-labore tem incidência de 11% de INSS e impacta diretamente o Imposto de Renda dos sócios, então ajustar esse valor com planejamento pode gerar economia legítima.

Distribuição de Lucros

Esse é um dos pontos que mais mudou recentemente. Com a Lei nº 15.270/2025, a chamada Reforma da Renda, passou a existir tributação na fonte de 10% sobre lucros e dividendos distribuídos acima de R$ 50 mil por mês a uma mesma pessoa física, inclusive para sócios de empresas do Simples Nacional.

Existe uma janela de transição importante: lucros apurados até 2025, desde que devidamente deliberados em ata, podem ainda ser distribuídos com isenção até 2028. Empresas que possuem lucros acumulados de anos anteriores e ainda não formalizaram essa distribuição em ata societária devem avaliar essa decisão com o contador agora, antes de perder essa possibilidade.

Créditos Tributários

Empresas do Lucro Real que apuram PIS e Cofins pelo regime não cumulativo devem revisar se estão aproveitando todos os créditos permitidos, especialmente porque esses tributos serão extintos com a transição para a CBS. Créditos acumulados e não utilizados têm prazo prescricional de cinco anos, o que significa que valores referentes a 2021 podem ser perdidos definitivamente ainda em 2026 se não forem habilitados a tempo.

Decisões Que Ainda Podem Ser Tomadas Agora

Mesmo estando no meio do ano, o empresário ainda tem margem para tomar decisões que reduzem a carga tributária de forma legal:

  • Simular a mudança de regime tributário para o próximo ano com base no faturamento real já apurado
  • Formalizar em ata a distribuição de lucros acumulados até 2025 antes de perder a isenção
  • Ajustar o Fator R por meio de decisões sobre folha de pagamento e contratações
  • Revisar despesas dedutíveis e créditos de PIS/Cofins ainda dentro do prazo
  • Organizar a documentação fiscal para atender às novas exigências da Reforma Tributária já em vigor

⚠️ A maior parte dessas decisões exige simulação numérica antes de ser executada. Uma escolha apressada pode gerar economia em um tributo e aumento em outro.

O Que 2026 Traz de Diferente

Janela de Setembro do Simples Nacional

Uma das mudanças mais relevantes do ano é a nova regra definida pela Resolução CGSN nº 186/2026: pela primeira vez, o período de opção pelo Simples Nacional para o ano seguinte foi antecipado para o mês de setembro, ocorrendo entre os dias 1º e 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de janeiro de 2027. Antes, essa decisão era tomada em janeiro do próprio ano de vigência.

Isso significa que a decisão sobre o regime tributário de 2027 precisa ser tomada meses antes do que o empresário estava acostumado, o que reforça a importância de revisar o planejamento tributário já agora, no início do segundo semestre.

Reforma Tributária: Fase de Testes

2026 é o ano da fase de testes da CBS e do IBS, os novos tributos que vão substituir PIS, Cofins, ICMS e ISS ao longo da transição. Durante esse período, empresas do Lucro Presumido e Lucro Real já precisam emitir documentos fiscais com o destaque simbólico da alíquota-teste de 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. A partir de agosto de 2026, um novo marco da reforma passa a exigir a inclusão desses campos em todos os documentos fiscais eletrônicos, conforme cronograma divulgado pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.

Novos Prazos e Obrigações Acessórias

Além da janela de setembro, o calendário de 2026 concentra outras adaptações obrigatórias, como ajustes na emissão de notas fiscais eletrônicas para incluir os campos da Reforma Tributária e o acompanhamento de atos conjuntos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS sobre obrigações acessórias específicas para o novo modelo. Ignorar esses prazos pode gerar inconsistência fiscal e problemas com a emissão de documentos já nos próximos meses.

O Momento É de Decisão, Não de Espera

O segundo semestre de 2026 reúne uma combinação pouco comum de fatores: dados reais de faturamento já disponíveis, uma janela antecipada para decisão do regime tributário, uma reforma tributária em fase de adaptação obrigatória e uma nova regra de tributação sobre distribuição de lucros que exige atenção imediata de quem tem valores acumulados de anos anteriores.

Empresários que revisarem esse conjunto agora chegam a 2027 com uma rota tributária mais eficiente e sem surpresas.

A Contabilidade São Bernardo faz essa revisão com você e indica os ajustes tributários certos para o segundo semestre do seu negócio. Nossa equipe atende empresários de São Bernardo do Campo e região do ABC com análise de regime tributário, simulação de cenários e orientação completa sobre as mudanças de 2026.

📞 Entre em contato com a Contabilidade São Bernardo e planeje com antecedência a rota fiscal da sua empresa até o fim do ano.

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